Embolização, a técnica que preserva o útero | Imprimir |

Nova abordagem ao tratamento dos Miomas Uterinos

ImageA embolização de miomas uterinos traz uma nova abordagem ao tratamento dos miomas, pois controla os sintomas provocados por estes tumores de forma efetiva, eficaz e duradoura. 

 

"Eu não aceitava a idéia de ficar sem o meu útero. Fiquei muito abalada e deprimida só de pensar em retirá-lo", conta a assistente contábil Ivone dos Santos de 39 anos. Ela relata que a cirurgia, com a incerteza de preservar o órgão, foi a única solução dada por seu médico há um ano, depois de detectar por meio de exames três miomas uterinos.


Depois que recebeu o diagnóstico, Ivone quis saber mais sobre miomas e buscou informações sobre o assunto na internet. Não se arrependeu. "Eu encontrei uma luz no fim do túnel, pois fiquei conhecendo a embolização uterina, uma técnica que trouxe esperanças de manter o meu útero", lembra Ivone.


Ter que retirar o útero significa a esterilidade para muitas mulheres. Além disso, a solução abala psicologicamente a mulher na sua mais marcante essência: a feminilidade. Para o Dr. Alexander Ramajo Corvello, radiologista intervencionista do Instituto de Radiologia Intervencionista (Inrad), a embolização do mioma do útero (que implica na obstrução do fluxo sangüíneo das artérias que nutrem o útero) é uma das alternativas para as pacientes que querem tratar o problema sem optar pela retirada do órgão. "Foi o caso de Ivone", esclarece o especialista, procurado pela contadora a fim de se submeter a embolização. O resultado superou suas expectativas. Ela sentiu a diferença logo no primeiro mês, pois o útero, que tinha dobrado de tamanho, já demonstrava certa diminuição neste período. "Eu renasci como mulher e estou muito feliz", diz Ivone, que agora não precisa mais desmarcar nenhum tipo de compromisso. "Antes eu evitava sair de casa por causa das hemorragias que tinha durante o ciclo menstrual. Ainda bem que isso acabou", comemora.


Exames de rotina


Os miomas uterinos geralmente são diagnosticados durante os exames de rotina e confirmados por meio de uma ultra-sonografia abdominal. Segundo Dr. Alexander Corvello, é recomendável fazer sempre exames de rotina, pois os miomas podem ser "silenciosos", não apresentando qualquer tipo de sintoma. "Hemorragias, dores abdominais, infertilidade feminina ou abortos precoces podem ser algumas das conseqüências do distúrbio", exemplifica o médico. Corvello ainda lembra que pressão na bexiga, aumento na freqüência de urinar ou dores durante a relação sexual também podem ser sintomas de miomas. "Todos esses problemas podem afetar e muito a qualidade de vida da mulher, que fica sem ânimo e sem disposição para manter um convívio social", frisa o médico.


As causas do surgimento dos miomas ainda não são completamente conhecidas, mas se acredita que a predisposição genética pode ter alguma influência na sua incidência. O tamanho dos miomas pode variar de um a dez centímetros e são mais freqüentes em mulheres com faixa etária entre 30 e 40 anos, período de maior fertilidade, em que existe maior quantidade do estrogênio no organismo.


ImageComo é a técnica


Ao optar pelo procedimento, após a paciente passar por exames específicos, o médico faz um pequeno corte de aproximadamente 2 milímetros na virilha, por onde introduz um cateter. Esse fino tubo é introduzido por dentro das artérias, com objetivo de alcançar as artérias uterinas que levam sangue para os miomas. Quando isso acontece, são injetadas partículas plásticas por dentro do tubo até entupir essas artérias. Dessa forma, os miomas deixam de receber sangue e outros nutrientes do organismo e param de crescer. "Com isso, diminuem e não causam mais distúrbios, já que o útero passa a ser nutrido por circulações colaterais que mantêm o órgão com suas funções normais", esclarece Dr. Corvello.

 

A embolização uterina é indolor, pois não existem terminais nervosos de dor no interior das artérias, sendo então possível navegar pelas mesmas sem que haja maiores problemas. O procedimento dura em média uma hora e é realizado no laboratório de radiologia intervencionista do hospital e não no centro cirúrgico. A obstrução das artérias uterinas é feita com a injeção de um material sintético utilizado na medicina há pelo menos 30 anos, sem qualquer tipo de rejeição pelo organismo.


O procedimento é monitorado por meio de imagens, com a utilização de um equipamento de raios X de alta resolução. "A paciente não precisa levar pontos e a recuperação se dá em até cinco dias", ressalta o médico. A técnica é utilizada por especialistas em radiologia intervencionista desde 1970 para tratamento de sangramento pós-parto, pós-aborto e malformações vasculares pélvicas.

Vantagens da embolização uterina


A embolização das artérias uterinas é um método seguro, eficaz e que traz inúmeras vantagens, entre elas:


• Proporciona maior qualidade de vida.
• Traz um alto grau de satisfação e rápida recuperação das pacientes.
• Os sintomas diminuem em curto prazo.
• É uma importante alternativa ao tratamento convencional, pois preserva o útero e alcança todos os miomas ao mesmo tempo.
• Não apresenta nenhum sangramento durante o procedimento.
• Controla os sintomas em mais de 90% das mulheres.
• A recuperação é rápida.
• Não necessita de pontos nem deixa cicatrizes.
• Assim como a Miomectomia (retirada do mioma por cirurgia) a Embolização proporciona índices de gravidez entre 10 a 30 por cento